A ascensão da pornografia pró-MAGA: como a supremacia branca se tornou um nicho de mercado

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Tudo começou com uma mentira.

Em 8 de julho, uma conta X chamada @superioritymale tuitou sobre Immigration and Customs Enforcement (ICE). O texto era sombrio. Afirmou que mais de 68 mil detidos estavam morrendo de fome em centros dos EUA, sem água e sem entes queridos. Parecia uma notícia de última hora. Ou talvez uma zona de guerra.

Mas o vídeo anexado não era de um centro de detenção.

Foi um clipe de 14 segundos. Um homem branco. Uma máscara de esqui. E masturbação.

“Deixe-me servir esse pau, massa.” A resposta de @FreakedOut222 foi imediata. Bruto. Específico.

É assim que funciona a nova era do conteúdo adulto no X. Não é apenas pornografia. É um teatro político vestido de luxúria. E para pessoas como Josh – um homem bissexual de 25 anos de Columbus, Ohio – faz todo o sentido.

“Eu não entenderia a quantidade de mensagens que recebi”, diz Josh. Ele vota em Trump desde 2022. Ele vê um tipo específico de alívio nesse conteúdo. É uma saída para aqueles que estão cansados ​​do que ele chama de “exigências estritas das máscaras liberais performáticas” de alguns membros da comunidade gay. “As pessoas querem se entregar a algo perverso. Você sabe, talvez elas possam ser convencidas a serem conservadoras.”

Ele pediu apenas o primeiro nome. Razões profissionais.

A Fantasia do Deus Branco

A WIRED identificou cerca de uma dúzia de contas que impulsionam essa tendência. Alguns têm dezenas de milhares de seguidores. Alguns têm centenas. A estética é consistente. É a fantasia da dominação masculina branca.

A linguagem é específica. Esses criadores falam sobre a “ordem natural”. Eles pregam a “verdade biológica” da hierarquia racial. Eles exortam os seguidores a reivindicar seu “direito de nascença”. A mensagem é simples: os homens brancos são a espécie dominante. O resto são assuntos.

O tom reflete a atual retórica da Casa Branca. Em janeiro, uma conta chamada @malesupremacy13 – que lista “nazi-fascista” em sua biografia e diz “guerra é pornografia” – postou uma lista de coisas excitantes.

Bombardeios em Gaza. Direitos LGBTQ negados. Desigualdade de género. Poluição plástica.

É uma lista de queixas disfarçadas de libido.

Depois, há o vídeo de outubro. A peça “Born in the State of Alabama”, de Bruce Springsteen. (Springsteen odeia Trump agora, chamando a administração de “traiçoeira”. Ele também não se importava com quem estava assistindo.) Na tela, homens brancos fazem sexo. Hetero e gay. Cortes rápidos. Um rolo de destaque. Uma sobreposição gigante de texto em vermelho, branco e azul grita: “JUNTE-SE AO ICE HOJE”.

A postagem tem links para ice.gov. A legenda? “AJUDE SEU PAÍS A SE LIVRAR DOS CRIMINOSOS HOJE, MANO.”

O Departamento de Segurança Interna não comentou. X não comentou.

A Economia do Ódio

Isso não está acontecendo no vácuo. Ele se sobrepõe a outros nichos adultos. Você está indo. Você tem domínio financeiro – onde os substitutos enviam dinheiro para os “mestres”. Agora você tem dominação política.

Veja @MagaGodJ. A conta bloqueia qualquer pessoa que faça perguntas. As postagens apresentam imagens geradas por IA de fisiculturistas flexionados e sem camisa. As legendas são calúnias. “O racismo é um valor americano”, lê-se. Outra tem como alvo homens gays com discurso de ódio. É para ser adorado. É para obedecer.

E vende.

MasterJoe, um criador do OnlyFans, postou um vídeo em 10 de julho. Ele usa um chapéu MAGA vermelho. Ele chuta um submisso vestido com uma camisa Harris-Walz. “Liberal idiota e caralho.” A promoção no X? “VÍDEO DE ESPANHAMENTO DE ESCRAVOS. 8 MIN. US$ 50. 50% DE DESCONTO.”

É racismo e misoginia explícitos, embalados como um desconto.

Outros relatos promovem o incesto. Eles fetichizam o estupro. Eles normalizam a crueldade. Suas biografias estão cheias de tags como #ILBAB (adoro ser um menino animal) e #BWC. A masturbação torna-se “h8 b8ting” (espancamento de ódio).

Uma postagem apresenta o vídeo de um homem chegando ao clímax em roupas de trabalho. O texto: “Acabei de demitir a última negra do nosso time. Ela implorou… falando sobre os filhos. Vejo você no drive thru do McDonald’s.” Outro diz: “Vidas negras só importam quando servem galo branco”.

É desumanização. É barato. E está em todo lugar no X.

Por que X adora essas coisas

A mudança de propriedade da plataforma em 2022 mudou a cultura. A moderação foi afrouxada. Comentaristas conservadores entraram em cena. Criadores adultos seguiram o tráfego. Eles se encontraram em um feed dominado pelo discurso de direita.

Um editor de uma página de videoclipe da subcultura “gooner” disse à WIRED que está inundado de pedidos. Os criadores de pornografia MAGA querem que seu trabalho seja destacado.

“Eles teriam cerca de 10 seguidores naquela época”, diz o editor, pedindo para permanecer anônimo. “Agora eles têm um grande público. As pessoas sempre me pedem para fazer uma edição MAGA. Eu digo não. Não quero essa bagunça. Eles são idiotas.”

Mas a demanda existe.

A Psicologia da Dominação

Isso não é novo. O racismo erotizado e a dinâmica dominante/submissa estão no entretenimento adulto há décadas. A embalagem, porém, foi atualizada. Agora reflete as mensagens políticas atuais. É pornificado. É explícito.

Whitney Strub, professor da Rutgers e autor de Perversion for Profit, vê uma linha direta aqui. O movimento de Trump baseia-se na política nacionalista branca. Ele usa a força masculina para combater o medo racial.

“As políticas sexuais fascistas são sadomasoquistas”, explica Strub. “O domínio da raça superior. A submissão à autoridade. As fantasias do corno.”

Ele aponta para a teoria da “Grande Substituição”. O receio de que as taxas de natalidade dos brancos estejam a diminuir e a imigração de não-brancos acabe com a população nativa. Esse medo alimenta o sexo. A crueldade ecoa a propaganda nazista.

“Essas contas são o próximo estágio”, diz Strub. “Filtrado pelas sensibilidades cheias de ironia do 4chan. A cultura do meme groyper.”

É um ciclo de feedback. A política informa a torção. A torção reforça a política.

O Apelo

Para Josh, a lógica é direta. Ele valoriza a liberdade de expressão. Ele não se importa com quais são seus problemas. Desde que não sejam liberais.

“O patriotismo é sexy”, diz ele.

Esse é o cerne da questão. A mistura de orgulho nacional e liberação sexual. Por que se sentir atraído por homens que compartilham seus pontos de vista? Por que não?

O conteúdo se espalha. As contas crescem. A retórica se aguça.

E o vídeo continua.