À medida que as tensões geopolíticas no Médio Oriente aumentam, a vulnerabilidade das infra-estruturas críticas passou para a linha da frente das preocupações de segurança regional. Os recentes ataques de drones iranianos já afetaram instalações de energia e de dessalinização no Kuwait e provocaram incêndios em locais petrolíferos, levantando uma questão vital: Poderia um ataque direcionado à produção de água paralisar o Golfo?
Embora a ameaça seja real, o abastecimento de água da região não é tão frágil como pode parecer. A rede de dessalinização é construída com camadas significativas de redundância projetadas para absorver interrupções isoladas.
A proteção contra interrupções
A segurança hídrica do Golfo não depende de um único ponto de falha. Em vez disso, funciona através de uma rede descentralizada e interligada de instalações. Vários fatores evitam uma crise imediata após uma greve:
- Diversificação Geográfica: As usinas de dessalinização estão distribuídas ao longo de toda a costa, o que significa que a perda de uma instalação não colapsa toda a rede.
- Redes Interconectadas: De acordo com a Veolia, prestadora de serviços ambientais que gerencia quase 19% da capacidade da região, essas usinas podem “apoiar e substituir umas às outras” para manter a continuidade do serviço.
- Reservatórios Estratégicos: A água não é apenas canalizada diretamente das plantas para as torneiras; é armazenado em reservatórios centrais e tanques ao nível dos edifícios. Nos EAU, o armazenamento normalmente cobre cerca de uma semana de procura, enquanto outras partes da região mantêm uma reserva de dois a três dias.
Devido a estas redundâncias incorporadas, é pouco provável que uma única greve resulte numa perda imediata de água ao nível do consumidor. Como observa Rabee Rustum, professor de engenharia hídrica e ambiental da Heriot-Watt University Dubai, o sistema tem “espaço para respirar” suficiente para evitar escassez instantânea.
Uma dependência de alto risco
Apesar desta resiliência, a dependência subjacente da dessalinização é absoluta. Ao contrário de muitas partes do mundo, o Golfo carece de sistemas fluviais significativos ou de chuvas consistentes. A região opera mais de 400 usinas, produzindo aproximadamente 40% da água dessalinizada do mundo.
A confiança nesta tecnologia é uma questão de sobrevivência nacional:
* Kuwait: A dessalinização fornece aproximadamente 90% da água potável.
* Arábia Saudita: O número é de aproximadamente 70%.
* Emirados Árabes Unidos: É responsável por 41–42% do abastecimento total de água.
A “Linha Vermelha” da Infraestrutura Hídrica
Embora o sistema possa absorver um único golpe, as implicações estratégicas do ataque às plantas aquáticas são profundas. Os especialistas sugerem que visar estas instalações vai além dos objectivos militares tradicionais e entra no domínio da crise humanitária.
Andreas Krieg, professor sénior do King’s College London, argumenta que a infra-estrutura hídrica ocupa uma categoria única em conflitos. É a base da sobrevivência civil, da saúde pública e do saneamento.
“Atacar as usinas de dessalinização seria um movimento estratégico, mas também chegaria muito perto e, em alguns casos, cruzaria uma linha vermelha”, diz Krieg.
Nos termos do direito internacional humanitário, os sistemas hídricos são classificados como objectos indispensáveis à sobrevivência da população civil, conferindo-lhes protecções especiais. Um ataque a estes sistemas não só representaria um enorme desafio logístico, mas também traria graves consequências jurídicas e morais.
Resumo
Embora a rede de dessalinização do Golfo esteja concebida para resistir a ataques isolados através de redundância e armazenamento estratégico, a extrema dependência da região nesta tecnologia significa que ataques sustentados ou em vários locais poderão eventualmente sobrecarregar o sistema e ameaçar a estabilidade civil.





























