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Engenheiro de software acusado de manipulação incorreta de dados da previdência social

Um antigo membro do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) da Administração da Segurança Social (SSA), John Solly, está no centro das alegações de que tentou transferir dados sensíveis da SSA – incluindo informações de identificação pessoal do Sistema de Identificação Numérica (NUMIDENT) e do “ficheiro mestre de óbito” – para o seu novo empregador, Leidos, um importante empreiteiro do governo. As alegações surgiram em uma denúncia no início deste ano, embora Solly e Leidos neguem qualquer irregularidade.

A controvérsia sublinha preocupações crescentes sobre a segurança dos dados nas agências federais e o potencial de utilização indevida das informações privadas dos cidadãos. A SSA mantém o NUMIDENT, um banco de dados que contém detalhes abrangentes de solicitações de Seguro Social, incluindo nomes, datas de nascimento e até identidade racial. O “arquivo mestre da morte” contém registros de indivíduos falecidos para evitar fraudes, mas ambos os conjuntos de dados são extremamente valiosos para atores mal-intencionados se comprometidos.

As alegações

De acordo com a denúncia, Solly supostamente armazenou dados do SSA em um pen drive com a intenção de compartilhá-los com a Leidos, que garantiu bilhões em contratos do SSA. Ele teria dito a colegas de trabalho que esperava um perdão presidencial se suas ações fossem ilegais. Desde então, o site pessoal de Solly e o perfil do LinkedIn foram colocados offline.

Tanto Solly, por meio de seu advogado, quanto Leidos negaram veementemente as acusações. Leidos conduziu uma investigação interna, incluindo perícia digital, e afirma que nenhum dado SSA foi encontrado em suas redes. Eles também afirmam que Solly nunca usou um dispositivo de armazenamento em seu laptop fornecido pela empresa. A SSA faz eco destas negações, afirmando que as alegações são falsas e que a agência está focada na sua transformação digital.

O panorama geral

Este incidente não é isolado. Em agosto passado, o diretor de dados da SSA, Chuck Borges, apresentou uma queixa separada acusando o DOGE de enviar dados da SSA para um servidor em nuvem inseguro. Borges renunciou pouco depois, alegando obstrução às suas funções. A equipa DOGE foi acusada de práticas questionáveis, incluindo a transferência dos números da Segurança Social dos imigrantes para o “ficheiro mestre de óbitos” para restringir o seu estatuto legal.

Estas ações levantam sérias questões sobre supervisão e responsabilização dentro do DOGE. A rápida expansão da unidade dentro do governo dos EUA no início de 2025 foi alvo de escrutínio e alguns contratos foram posteriormente cortados. A SSA tem vindo a modernizar a sua infraestrutura digital, incluindo o desenvolvimento do EDEN (Enterprise Data Exchange Network), um sistema API para verificação em tempo real do número da Segurança Social. O EDEN, embora destinado à detecção de fraudes, poderia ser potencialmente usado para compartilhar dados da SSA com outras agências.

Compartilhamento de dados e riscos futuros

A SSA já compartilha dados com outros entes federais. William Kirk, inspetor-geral da Administração de Pequenas Empresas, testemunhou em fevereiro sobre a expansão dos acordos de partilha de dados, inclusive através do EDEN da SSA. A expansão de tais sistemas aumenta o risco de violações e utilização indevida de informações sensíveis.

As alegações contra Solly destacam uma tensão fundamental: a necessidade de partilha de dados para combater a fraude versus o imperativo de proteger a privacidade dos cidadãos. Sem controlos mais rigorosos e supervisão independente, estes riscos só aumentarão à medida que mais agências federais integrarem bases de dados sensíveis.

O assunto continua sob investigação, mas o incidente sublinha a vulnerabilidade dos dados do governo dos EUA numa era de rápida expansão tecnológica.

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